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publicado em 22 de abril de 2021

Em 2060, a saúde estará viva?

Em 2060, a saúde estará viva?

Quando tinha meus distantes oito anos de idade, o vislumbre de chegar aos quarenta era algo longínquo e temporalmente, quase inalcançável pela minha imaginação. Inclusive, achava que chegaria lá já próximo do meu ciclo de fim de vida.

Ainda não cheguei na minha quarta década, mas já faço as contas de que, se nenhum evento adverso fatídico acontecer, estarei em 2060 com meus cabalísticos, 77 anos. E me pego pensando se, eu estando vivo, a saúde, como serviço que conhecemos, estará viva também? Por quais caminhos a interdisciplinaridade do cuidado do ser humano passará?

Bom, eu não vou falar de telemedicina porque já é coisa do presente, quase passado, e em 2060 ninguém nem vai lembrar que isso um dia foi um problema, um tabu. Podemos pular.

Vou começar conjecturando que algumas especialidades mudarão drasticamente, isso se não deixarem de existir. Minha aposta é que deixarão. Afinal, para que precisaremos dos radiologistas em 2060? Com o avanço da Inteligência Artificial, interpretar imagens médicas se tornará algo muito mais confiável e preciso. Já é possível, hoje, vermos como isso será uma tendência de fácil adesão por planos de saúde e hospitais.

Mas, falando em Inteligência Artificial (IA), as pesquisas de novos fármacos já avançam muito ao utilizar a IA na descoberta de novas moléculas para tratamento de diversas doenças. A Insilico Medicine, uma companhia de biotecnologia de Hong Kong, já usa big data e aprendizado profundo de máquinas (um ramo da IA) nas suas pesquisas. Eles já criaram alguns inibidores de um gene, o DDR1, que implica no tratamento direto da fibrose pulmonar. Imaginem chegarmos em 2060 com a descoberta da origem e do tratamento contra a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) acelerado pelo poder computacional da IA? Não seria maravilhoso?

Mas e o bem-estar das pessoas? Em 2060, eu imagino um mundo que se preocupe muito mais com cuidar para que eu não adoeça do que para tratar as futuras doenças de um idoso de 77 anos.

Inclusive, vale muito chamar atenção para o fato de que a população de idosos no Brasil crescerá em escala acelerada. Nós já perdemos o bonde do bônus demográfico brasileiro e, em 2060, algumas previsões indicam que os idosos serão um quarto de toda a população do país.

É imprescindível que a gente pense e crie formas de conseguir garantir saúde e bem-estar ao invés de cuidar de doenças futuras. O custo é maior, além de exigir um sistema muito mais complexo e especializado que o atual. Com análise de dados, inteligência artificial, ciências comportamentais e uma boa dose de políticas públicas adequadas, é possível combater e frear o crescimento de doenças crônicas como a diabetes, que é responsável por mais da metade das amputações realizadas no Brasil e tem um peso enorme para o sistema de saúde.

E a genética? Em 2060 já poderemos ter cruzado a fronteira final e compreendido o funcionamento completo dos telômeros. Ah! os telômeros, nosso contador de vidinhas do Atari na vida real, sem chance de reboot.

Já encerro nostálgico do futuro. O ano 2060 precisa ser muito melhor para garantir saúde, qualidade de vida e bem-estar para você que algum dia também cruzará o número cabalístico dos 77 anos.

*Vander Muniz é curioso, Executivo de Tecnologia, Empresário e Estudante. Por acidente foi trabalhar na área da Computação se especializando em Inteligência de Negócios baseado em Dados e em tecnologias como Inteligência Artificial e Big Data. Formado em Ciência da Computação, especializado em Neurociência, Bioinformática e Inovação. Hoje atua na área de desenvolvimento de soluções com tecnologias disruptivas em diversas empresas.